Dois ensaios sobre pensamento medieval
Da instituição do temor e do tremor, por Cesar Kiraly
A preocupação psicanalítica com a crença nos leva a buscar as suas inscrições arqueológicas no pensamento filosófico. Encontramos uma relação bastante estreita entre a crença e o pensamento soberano. A crença é utilizada para pensar no âmbito político formas de onipotência predicadas com a idéia de infinito. Mas a soberania antes de ser política é teológica. Percebemos, contudo, a entrada da idéia de soberania no pensamento político pela transposição do infinito para o ilimitado. Essa seria uma forma de levar “aquilo maior do que o que não se pode pensar” para questões relacionadas ao tempo histórico. Com efeito, buscam-se os fragmentos lógicos e pathológicos da autoridade.
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A História como ontologia do mundo, por Cleber Ranieri Ribas de Almeida
O filósofo cínico Luciano de Samósata foi, dentre os autores da antiguidade clássica, aquele que mais influiu para a formação de um certo cânone literário. Seu contributo ainda permanece pouco estudado, não obstante constituir uma clara tradição filosófica e ficcional na modernidade, a denominada “tradição luciânica”. Escritores como Erasmus de Roterdan (Elogio da Loucura), Rabelais (Pantagruel), Swift (Viagens de Gulliver), Voltaire (Micrômegas), Quevedo (O Gatuno), Thomas Morus (Utopia) e Machado de Assis (Memórias Póstumas de Brás Cubas)[2] foram assumidamente influenciados pela tradição da sátira menipéia luciânica, e fizeram amplo uso de vários recursos discursivos e estilísticos criados ou disseminados pelo filósofo. O corpus lucianeum constitui um dos maiores legados dos antigos à posteridade e, através dele, temos acesso a um conjunto de textos que se valem da derrisão como instrumento da criação e da crítica filosófica.
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Abril 13th, 2010 at 10:49 pm
O artigo em si é um depoimento do homem em busca de um Deus que não usa toga, não tem barbas longas, não paira em nuvens ou tem raios que lampejam das mãos. É antes de tudo,o problema que nos cerca quando estamos em perigo ou cheio de graça. Qual é o nosso Deus? Aquele que realmente habita em nossos corações? É o Deus que discutem filósofos e sábios? O Deus de Davi?
Aproveito o seguinte recorte do artigo, para estabelecer um vínculo entre o autor e minha turma de pensadores Neófitos, postulantes a Mestres: “Encontramos uma relação bastante estreita entre a crença e o pensamento soberano. A crença é utilizada para pensar no âmbito político formas de onipotência predicadas com a idéia de infinito. Mas a soberania antes de ser política é teológica”.
Conferimos a verdade existente na afirmativa, estudando Alexandre o Grande, misto de filósofo - Guerreiro - Estrategista - Santo.
Soldados se entregam a seus comandantes, numa rara crença de estar diante da soberania de um Deus da Guerra limitado por um poder castrado pelo governante que em tese, está desarmado ante o seu poderio bélico.
Maio 6th, 2010 at 10:31 pm
Gostei muito dessa correlação entre Deus/infinito e soberania/ilimitada, assim como a possibilidade de demonstrar a existência de soberania através dos mesmos argumentos que provariam a de Deus.
Embora o artigo não mencione Sto Agostinho, considero que seria possível incluí-lo nessa linha de raciocínio por conta da influência que exerceu sobre todos os que o seguiram. Agostinho evidentemente também não emprega o termo soberania, mas se refere muito a obediência, submissão, lei e à importância do homem se submeter à lei terrena. E´claro que o rumo da História foi definido por Deus que também permitiu a grandeza do Império Romano, por exemplo.
Mas me surgiram as seguintes dúvidas: se o soberano está limitado à lei de Deus, ele pode ser verdadeiramente soberano? Os termos autoridade e poder não seriam mais representativos?
E também, se o ilimitado está sujeito ao infinito, pode se inferir que ele seja finito? Porque daí resultando uma soberania finita, ela poderia ser considerada ilimitada?
Antonio Ricardo Penha Reply:
Maio 7th, 2010 at 6:26 pm
Olá Mônica, com prazer leio o seu comentário e aprendo com a expansão de um tema que tem raizes no pensamento universal. Seu texto assim como o original de Cesar Kiraly, estabelece uma conexão bastante contextualizada sobre a história e a religião estudada sem os dógmas que limitam a nossa compreensão.