Susan Howe e Pierce
A poesia não é um modo legítimo para se abordar problemas filosóficos. Heidegger, de seu modo, procura mostrar que isso não é verdade, partindo das fórmulas lingüísticas da filosofia eleata. Contudo, a forma de filosofar pela poesia não é a única, recentemente Marjorie Perloff tentou mostrar que existem modos poéticos de se abordar problemas filosóficos em Wittgenstein, que modificam o modo como entendemos a filosofia, mas que produzem, inclusive, intensas mudanças na poesia contemporânea. Esse esforço também pode ser encontrado no livro de Susan Howe. Pierce-Arrow, livro recentemente traduzido para o português por Antonio Sergio Bessa, consiste na exploração da obra e da vida de Charles Sanders Peirce.
C.S. Peirce não é o único
exemplo outros mestres
bateram nos portais acadêmicos
e foram recusados entrada mas
eles são os obituários uma penalidade
paga por segurança por gramática
por escrita por Ocam tempo
e movimento não têm a
mesma definição—Commentary
(tradução de Antonio Sergio Bessa)
Veja-se uma pequena sinopse: O título Pierce-Arrow se refere ao nome de uma carro de luxo que era fabricado na cidade de Buffalo, no norte de Nova York, cidade onde Susan Howe ensinou literatura por muitos anos. O Pierce-Arrow era o carro de preferência da burguesia durante os opulentos anos 20, e Susan Howe usa esta trade mark como um ready-made, um elemento icônico que, num outro nível, nos remete ao nome do filósofo C.S. Peirce que por algum tempo residiu na Arrow Street, em Cambridge, Massachusetts.

Aproveitamos, como podcast, para tornar disponíveis algumas excelentes gravações de leituras de Susan Howe. Nelas Howe fala de sua obra, dos eventos que marcaram o tipo de poesia que empreende e interpreta pela leitura alguns de seus próprios versos.

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