Metafísicas do Olho: Variações I por Cesar Kiraly
Neste artigo procederemos a três movimentos, de algo que pode ser literariamente descrito como Variações: (1) narrativa sobre a arqueologia na obra de Michel Foucault. Porque aquilo que desejamos dizer adiante demanda certa ambientação que apenas uma forte filosofia dos discursos, dos arquivos e dos fragmentos é capaz de produzir, (2) corporificação do discurso com a metáfora do olho (a possível opacidade de um olho sem fundo, ou sem intimidade) e (3) a estruturação da idéia de opacidade da dor do outro. Desejamos mostrar que existe uma explícita complementaridade entre a identificação da fragmentação dos discursos, a identificação do esvaziamento dos olhos e a identificação da opacidade diante da dor do outro. Aproximaremos essas três identificações filosóficas com um imperativo moral cético: é na identificação da fragmentação dos discursos que percebemos e nos desviamos da opacidade do fundo do olho e opacidade da dor do outro. Porque se a opacidade da dor do outro é algo que se impõe pela necessidade, ela bem se diferencia da prática ativa de tornar a dor do outro uma dor opaca. Pela identificação da fragmentação dos discursos não só reconhecemos a opacidade, como instauramos, outrossim, outros regimes nos quais a opacidade possa se tornar sinônimo de intimidade expressiva, e não de abandono moral. No segundo movimento apresentaremos variações sobre um conto de Hoffmann e no terceiro movimento: variações sobre Regarding the Pain of Others de Susan Sontag. Um dos primeiros ensaios sistemáticos sobre uma teoria social da imagem fotográfica. Os fortes vínculos entre a arqueologia filosófica de Foucault e nosso interesse neste conto fantástico de Hoffman e nas análises de Sontag sobre a fotografia aparecerão na narrativa, e decorrem da estrutura das Variações.
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Junho 29th, 2010 at 10:08 pm
Vivemos a era dos artigos feito a rapidez do autor, onde os questionamentos de relevância se perdem na poeira que se acumula no teclado do computador, ou nas traças que passeiam nos jornais a muito largado. Kiraly, jovem Doutor, fustiga-nos a pensar Foucault no ítem: “(1) narrativa sobre a arqueologia na obra de Michel Foucault. Porque aquilo que desejamos dizer adiante demanda certa ambientação que apenas uma forte filosofia dos discursos, dos arquivos e dos fragmentos é capaz de produzir”. Entretanto, quem passeia nos trabalhos de Foucault e na dimensão da sua revolta com a mesmice, perguntará a si mesmo, quanto tempo temos dedicado a construção de saberes, que possibilitaria entender o articulista. Minha aluna de Filosofia Contemporânea engasgada com a construção do texto, pergunta-me se entendi Kiraly, numa proposta de fomentar um debate com outro aluno que diz que compreendeu apenas no limite da variação (2), onde o próprio mundo é visto por todos numa opacidade cultural. Estamos falando de quê, afinal de contas? Insiste ela. Falamos de Ignorância, falta de estudo, falta de leitura, falta de cor e principalmente da falta de respostas.Responde-lhe outro aluno, pois quando Kiraly mistura arqueologia que busca vestígios em objetos ou fatos enterrados com fragmentações da fotografia que ao tolo é um espectro, um fantasma, está ele simplesmente escrevendo nas paredes das cavernas para que entendamos sua escrita quando atingirmos olhar dos arqueólogos daqui muitos anos.
Julho 3rd, 2010 at 2:13 pm
Perfeito!! Uma chamada ao nosso raciocíonio tão acostumado ao poder da escolha entre a escrita banal e a relevante. O autor do artigo foi pleno, e o articulista que o comentou absorveu a essência desta escrita espalhando o seu significado para interpretação dos seus alunos sa academia. Parabéns aos dois.
Julho 5th, 2010 at 9:44 pm
Fico entusiasmada com os textos que o professor Antonio Penha descola para as nossas discussões. Este Blog foi um achado, e professores como Renato Lessa e Cesar Kiraly tem nos submetido a estudos mais profundos. A linguagem que usam ainda não entendemos sem a orientação do nosso querido professor Antonio. Porém, tem sido muito gratificante participar desta academia.
Parabéns aos idealizadores do Laboratório de Estudos Hum(e)anos.
Julho 5th, 2010 at 9:51 pm
Levei o Artigo para a leitura dos meus alunos em duas instituições de ensino superior: Centro Universitário Abeu e Faculdade Gama e Souza.Lá os jovens acadêmicos de Pedagogia, Letras e Matemática solicitaram auxílio para debaterem a intenção do articulista. Isto por si, já valida o esforço de construir com eles respostas ao texto de tão boa escrita. Que o acesso permaneça sempre disponível.