História do Anonimato

O ceticismo tem uma história e faz uma história, uma história constituída por representações, idéias, e uma história produzida por representações, idéias. Não se pode dizer que o Eu cético seja excessivo, antes de tudo, o Eu do ceticismo é diaphônico. Este pequeno ensaio de Terry Eagleton, publicado domingo 7, no caderno Mais, da folha de São Paulo, explana algumas linhas sobre o despertencimento do Eu, e a sua existência. As associações com Montaigne são necessárias, sempre.

História do anonimato

TERRY EAGLETON

Todas as obras literárias são anônimas, mas algumas são mais anônimas que outras.
Faz parte da natureza de um texto escrito o fato de conseguir se manter sozinho, livre de seu progenitor, podendo dispensar a presença física deste (ou desta).
Nesse sentido, o texto escrito se assemelha mais a um adolescente que a um bebê.
Diferentemente da fala, a escrita é significado que se libertou de sua fonte. Alguns tipos de escrita -por exemplo, ingressos para o teatro ou bilhetes deixados para o leiteiro- estão mais intimamente vinculados a seus contextos originais do que “O Paraíso Perdido” [de John Milton] ou “Guerra e Paz” [de Leon Tolstói].
Pelo fato de ser imaginária, a ficção não possui nenhum contexto original na vida real e, hermeneuticamente falando, pode, portanto, circular muito mais livremente que uma lista de compras ou uma passagem de ônibus.
Não podemos simplesmente tirar Auschwitz de nossas cabeças quando assistimos a “O Mercador de Veneza” [de Shakespeare]. O significado pretendido pelo autor nem sempre passa por cima do significado atribuído pelo leitor.
Walter Benjamin acreditava que as obras literárias secretam certos significados que podem ser liberados apenas em sua pós-vida, quando elas passam a ser lidas em situações até então imprevisíveis. Ele pensava algo semelhante em relação à história em geral.
As possibilidades futuras de “Hamlet” são parte do significado da peça, embora seja possível que nunca cheguem a se realizar. Um dos maiores romances ingleses, a obra-prima do século 18 “Clarissa”, de Samuel Richardson, voltou a ser legível à luz do movimento feminista do século 20.
Expulsa de sua “casa” de origem, sem-teto e órfã, a escrita literária é obrigada a sobreviver de um dia para outro e, desse modo, possui uma semelhança curiosa com o pícaro ou o vagabundo errante que protagonizam tantos romances.
Um texto pode carregar a assinatura de um escritor específico sem realmente fazer parte da obra dele.
Por exemplo, nem todo texto que ostenta a assinatura de Karl Marx é necessariamente “marxista”. As intenções literárias que importam são embutidas na própria obra, um pouco como a estrutura de uma cadeira “pretende” que nos sentemos nela.
O eu remete a raízes insondavelmente anônimas. Homens e mulheres emergem como seres únicos por meio de um meio (quer o chamemos “geist”, história, linguagem, cultura ou o inconsciente) que é implacavelmente impessoal.
No próprio núcleo da personalidade, nos diz a era moderna, estão em ação processos anônimos. Apenas por meio de uma salutar repressão ou do ignorar dessas forças é que podemos conquistar a ilusão da autonomia. O anonimato é a condição da identidade.
É essa doutrina intransigente que o modernismo vai herdar, à medida que a impessoalidade assume o lugar do ego romântico, que já vai tarde.
Para uma vertente do modernismo, o eu é deslocado pelas próprias forças que o constituem -ele é desalojado, retirado de sua casca, descentrado e despossuído.
Não somos nada mais que os portadores anônimos do mito, da tradição, da linguagem ou da história literária. O único modo por meio do qual o eu pode deixar sua impressão digital distintiva, desde Flaubert até Joyce, é no estilo meticulosamente distanciador no qual ele se mascara.
A linguagem, propriamente dita, pode ser destituída de autor, mas o estilo, como afirma Roland Barthes em “O Grau Zero da Escrita” [Martins Fontes], mergulha diretamente nas profundezas viscerais do eu.
Outra vertente do modernismo retorna à própria subjetividade, como se a título de refúgio. O eu pode ser inconstante e fragmentário, mas existe algo em que podemos confiar: no imediatismo de suas sensações.
E, embora a essência do eu como condição hoje seja impalpável, existem certos momentos raros em que ela pode ser momentaneamente recapturada. Já o pós-modernismo, em contraste, ensaia o conto modernista do eu desalojado e descentrado, mas sem as consolações de um eu essencial.
“Anonymity - A Secret History of English Literature” [Anonimato - Uma História Secreta da Literatura Inglesa, ed. Faber and Faber, 224 págs., 17,99, R$ 57], de John Mullan, está longe de tecer tais reflexões grandiosas.
Trata-se de uma história do anonimato literário do século 19 até o presente e, sabiamente, se recusa a fazer uma grande narrativa de seu tema, com o argumento de que os motivos de tal anonimato são demasiado diversos.
Alguns autores são tímidos demais para enfrentar a publicidade, alguns são demasiado chulos, alguns exploram seu status de anonimato pela simples brincadeira, enquanto outros usam o anonimato como maneira perversa de provocar curiosidade.
Anthony Trollope recorria ao anonimato porque escrevia demasiado rápido e era sensível a acusações de produção excessiva. Anthony Burgess publicou anonimamente pela mesma razão, ou quase.
Ele também foi o resenhista não declarado de um de seus próprios romances, no “Yorkshire Post”. “Elegy” [Elegia], de Thomas Gray, o poema mais freqüentemente reimpresso da Inglaterra do século 18, foi publicado anonimamente.
Com modéstia decorosa, “Razão e Sensibilidade” foi assinado “por uma dama”, uma descrição bastante comum na época. Durante a vida da autora, nenhum dos outros romances de Austen foi publicado com seu nome.

Disfarces
Walter Scott publicou seus romances “Waverley” (os mais populares já vistos na Grã-Bretanha) sem, durante muitos anos, admitir sua autoria.
Os editores dos séculos 17 e 18 amiúde publicavam livros cuja autoria real era desconhecida até mesmo deles. Manuscritos freqüentemente eram deixados nas editoras no meio da noite, por intermediários disfarçados.
Havia também o “cross-dressing” autoral, mais normalmente de mulheres para homens que vice-versa. “Exemplos de mulheres que escolheram pseudônimos masculinos são múltiplos”, observa Mullan, “mas é muito mais raro encontrar homens se assinando com nomes de mulheres”.
Duas exceções notáveis foram Daniel Defoe e Samuel Richardson, que se refugiaram por trás de suas protagonistas mulheres.
As irmãs Brontë são um exemplo evidente de escritoras fazendo-se passar por escritores ou, pelo menos, ocultando-se atrás dos pseudônimos cuidadosamente andróginos de Currer, Ellis e Acton Bell.
Houve épocas em que o Estado precisava saber quem era o autor ou o impressor de uma obra para saber a quem processar por heresia ou sedição.
Em 1579, John Stubbs teve a mão direita decepada por escrever um texto opondo-se ao casamento de Elizabeth 1ª com um aristocrata francês. A própria Elizabeth recomendou que os impressores dos libelos anti-anglicanos “Marprelate” fossem submetidos à tortura.
Em 1663, um gráfico de Londres que publicou um folheto argumentando que o monarca deveria ter que responder a seus súditos e justificando o direito da população à rebelião foi sentenciado à forca e ao esquartejamento.
Mesmo assim, recusou-se a revelar o nome do autor do panfleto, embora a revelação pudesse ter salvo sua vida.
Entre os séculos 16 e 18, gráficos foram multados, encarcerados e colocados no pelourinho por publicar obras supostamente traiçoeiras cujos autores permaneciam ocultos. Ser o impressor de Jonathan Swift não era trabalho para covardes.
Destemido, John Locke inscreveu seu nome na página-título de seu “Ensaio Sobre o Entendimento Humano”, mas deu-se a enorme trabalho para preservar o anonimato de suas obras mais políticas.

Espancamentos
Outros atos de violência eram menos oficiais.
John Dryden foi espancado após deixar uma taberna devido a um poema anônimo atribuído a sua pena. William Blackwood, proprietário da “Blackwood’s Magazine”, foi açoitado em pelo menos duas ocasiões pelas vítimas de resenhas belicosas, e não assinadas, de seus colaboradores. O anonimato proporcionava não só perigo, mas também benefícios. Tobias Smollett foi quase certamente o autor de uma resenha elogiosa, não assinada, de seu próprio “Complete History of England” [História Completa da Inglaterra]. John Wilson escreveu uma carta anônima ao “Blackwood’s Magazine” defendendo Wordsworth de críticas não assinadas publicadas numa edição anterior do periódico e escritas por ele próprio.
Mesmo George Eliot, conhecida por pautar-se por seus altos princípios, escreveu resenhas anônimas da biografia de Goethe escrita por seu companheiro G.H. Lewes -a quem ela ajudara a escrever a obra.
Nem todos desaprovavam tais práticas. Stanley Morrison, que editou o “Times Litterary Supplement” nos anos 1940, declarava que a auto-resenha era o exemplo ideal do gênero.
Vindo de quem comandava um periódico inteiramente dedicado a colaborações anônimas, o comentário era perigoso.
Mullan encontrou um tema fascinante que ele trata com erudição e lucidez.
Mas falta ao livro o brilho instigante de suas melhores resenhas, e topamos com ocasionais trechos repetitivos ou cansativos. Há um epílogo absurdamente breve sobre os autores anônimos na era moderna, quando eles ou elas foram demasiado eclipsados pelos departamentos de publicidade de suas editoras.
Mesmo assim, há muito a ser apreciado. O livro parece ser voltado a um público amplo e com certeza representa uma tentativa louvável de fazer uma ponte entre a erudição literária e o leitor comum.

TERRY EAGLETON é professor de literatura inglesa na Universidade de Manchester e é autor de “Depois da Teoria” (Civilização Brasileira), entre outros livros. A íntegra deste texto foi publicada no “London Review of Books”. Tradução de Clara Allain.

Revista Sképsis

Revista Sképsis

O grupo de trabalho, História do Ceticismo, da ANPOF, criou um importante periódico para reunir as publicações acerca das temáticas do ceticismo. O periódico publica traduções, ensaios e resenhas. E, como abriga conjunto de céticos, não poderia deixar de contemplar artigos, cuja reverberação, invoca acaloradas discussões. Pode-se dizer, desde antes, que os debates travados, nas páginas da Revista Sképsis, serão estudados como os grandes debates da filosofia feita em português. Reproduzo as linhas de apresentação do periódico. Peço a leitura diária!

“Esta revista é um antigo projeto de Oswaldo Porchat. Há muitos anos, Porchat pensara em criar a Sképsis, revista ou coleção cuja finalidade seria reunir e veicular a produção filosófica sobre o ceticismo, tanto brasileira, como estrangeira. A seu ver, já havia, no Brasil, inúmeros trabalhos de boa qualidade sobre o tema, mas dispersos, e seria interessante traduzir alguns dos artigos estrangeiros importantes para que interessados no assunto pudessem conhecer as interpretações mais relevantes desde a redescoberta do ceticismo. Esse projeto nunca foi abandonado, mas não tinha sido levado adiante. Com o passar do tempo, as razões invocadas por Porchat somente ganharam força, já que o grupo de filósofos interessados no ceticismo cresceu muito e as pesquisas se tornaram cada vez mais especializadas. Assim, conforme as pesquisas brasileiras sobre o ceticismo foram se avolumando, a idéia de uma revista que reunisse os estudos antigos mais significativos, dando, ao mesmo tempo, vazão às produções recentes, deixou de ser um desejo pessoal e se impôs paulatinamente como uma espécie de necessidade coletiva.

A Sképsis é uma revista interinstitucional ligada ao GT-Ceticismo da ANPOF, um grupo de filósofos pertencentes a diversas universidades e regiões do país, com alguma inserção internacional e colaboradores estrangeiros. Esse grupo se reúne regularmente há mais de duas décadas em colóquios e outras formas de encontro. Faz parte de sua prática filosófica a exposição dos resultados parciais aos demais pesquisadores, a discussão aberta e sistemática de todas as idéias propostas, a submissão das hipóteses interpretativas e dos argumentos filosóficos à crítica dos colegas e amigos. O resultado natural desses debates exaustivos é uma produção em que as mútuas referências são constantes, mesmo quando não são explicitadas. Nesse sentido, a Sképsis é expressão da concepção de filosofia praticada por esses filósofos, cujas características principais são a abertura para o debate crítico e racional e a investigação constante, tanto das posições céticas, como daquelas que são franca e explicitamente contrárias ao ceticismo. Por isso, convida todos aqueles que gostariam de integrar esse amplo debate sobre as questões e os desafios céticos, bem como sobre as respostas que lhes foram dadas e as teorias que se lhes opuseram, a submeterem seus artigos para publicação”.

 Os Editores

Filosofia da Linguagem: ensaios introdutórios

Filosofia da Linguagem: ensaios introdutórios.

A academia estadunidense é bastante cuidadosa no oferecimento de textos introdutórios em filosofia da linguagem, ao contrário de muitos textos introdutórios publicados no Brasil, em todas as disciplinas filosóficas, as melhores introduções em língua inglesa promovem o recorte de alguns textos, e colocam o estudo desde as questões, no Brasil, alguns poucos livros introdutórios possuem esse caráter, dentre eles os livros do Professor Danilo Marcondes (há edição de Introdução à Filosofia e de textos de Ética, ambos excelentes). Um texto introdutório, em filosofia, não pode ser um ensaio menos, mas um ensaio preparado para ser abandonado pelas grandes obras, e não, uma prisão confortável. A Oxford University Press possui excelente introdução, cujo título é The Philosophy of Language, e tem como editor A. P. Matinich.

What is meaning? How is linguistic communication possible? What is the nature of language? What is the relationship between language and the world? How do metaphors work? The Philosophy of Language, considered the essential text in its field, is an excellent introduction to such fundamental questions. This revised edition collects forty-six of the most important articles in the field, making it the most up-to-date and comprehensive volume on the subject. Revised to address changing trends and contemporary developments, the fifth edition features seven new articles including influential work by Mark Crimmins, Gottlob Frege, David Kaplan, Frederick Kroon, W. V. Quine, and Robert Stalnaker (two essays). Other selections include classic articles by such distinguished philosophers as J. L. Austin, John Stuart Mill, Hilary Putnam, Bertrand Russell, John R. Searle, and P. F. Strawson.
The selections represent evolving and varying approaches to the philosophy of language, with many articles building upon earlier ones or critically discussing them. Eight sections cover the central issues: Truth and Meaning; Speech Acts; Reference and Descriptions; Names and Demonstratives; Propositional Attitudes; Metaphor and Pretense; Interpretation and Translation; and The Nature of Language. A general introduction and introductions to each section give students background to the issues and explain the connections between them. A list of suggested further reading follows each section.

Para a leitura do primeiro capítulo, clique aqui.

“O que mantém um homem vivo?: novos devaneios sobre algumas transfigurações do humano”

“O que mantém um homem vivo? (II): novos devaneios sobre algumas transfigurações do humano”
No dia 3 de setembro, às 19h, o ciclo de conferências “Mutações: a condição humana” segue com “O que mantém um homem vivo? (II): novos devaneios sobre algumas transfigurações do humano” . A curadoria é de Adauto Novaes.

Para pensar as possibilidades políticas dentro da lógica, um tanto ilógica, das mutações, parece não haver metáfora mais pertinente do que a do naufrágio e, por conseguinte, da navegação. Ambas tão antigas quanto a linguagem; ambas que não param de ecoar até hoje, no pensamento de um Hans Blumenberg por exemplo. Há que se descobrir, hoje, costas e ilhas, portos e alto-mar, velas e lemes, faróis e pilotos…

Mutações: a condição humana terá transmissão ao vivo pelo portal da Academia Brasileira de Letras.

Hume Society, 36th International Hume Conference, recebe artigos.

Todos os céticos do mundo reunidos!!! É recomendável que hegelianos deixem o Canadá no período entre 02 a 06 de Agosto. Porque terá curso a 36ª Conferência Internacional Hume, na cidade de Halifax, em 2009. Todos podem submeter artigos até o dia 01 de Novembro de 2008. As submissões devem ser enviadas para o correio eletrônico: submissions@humesociety.org , em arquivo anexo. Para maiores informações: http://myweb.dal.ca/nbrett/CallforPapers.htm. A Universidade que recebe é Dalhousie University and King’s University College. O tema geral é Naturalismo e Filosofia Humeana.

http://www.library.dal.ca/duasc/buildings/images/King's_Aerial_1962_PC1_18.43.jpg

Revista Analytica On Line

Os amantes das análises lingüísticas de textos filosóficos agora precisam dar adeus às tardes de solidão, porque a Revista Analytica agora está On Line, com todos os números antigos. Sabe aquele manuscrito perdido de Leibniz? Ou aquele pequeno ensaio pré-crítico de Kant? Então, na analytica você encontra artigos comentando parágrafo por parágrafo e contendas em torno de algumas linhas, textuais, mais suspeitas. No corrente número especial atenção para o artigo de Silvia Altmann: A existência como categoria modal.

Analyze this!

A divertida, e muito completa, revista Philosophy Now, acaba de lançar um número sobre psicanálise. Ler Freud como um filósofo é um dos grandes méritos do número. As relações entre Schopenhauer e Freud são exploradas. Alguns artigos abertos para leitura, sem pagar. Não deixem de ler a coluna: - querido Sócrates. Não há ensaios sobre Freud e Hume. A relação pouco explorada, mas largamente evidente, é sintoma do silêncio de estudos filosóficos sobre a natureza humana. Pode ser que essa natureza tenha saído de moda. Leiam o número, nas afinidades tradicionais, ou tradicionalmente demonstradas, a revista acerta, com vantagem.
Analyze This!

Uma História da Dúvida: uma resenha de A História do Ceticismo, de Richard Popkin

Uma História da Dúvida: uma resenha de A História do Ceticismo, de Richard Popkin

Renato Lessa

Em 1634, na cidade de Loudun, na França, o padre Grandier foi acusado de infestar um convento e suas pobres freiras com legiões de demônios. O processo ao qual foi submetido foi genialmente descrito por Aldous Huxley em The Devils of Loudun, em uma história que mesclava demonologia, fideísmo e devoção religiosa. O episódio, além de revelar a presença de um enorme interesse popular e erudito a sobre o tema da possessão demoníaca, em um século no qual muitos supõem ser marcado pela força do esprit laïque, suscitou um instigante problema de ordem cognitiva. Com base em que critérios, questões dessa natureza – possessões demoníacas – poderiam ser julgadas?

Caso Grandier tivesse o poder de infestar as pessoas com demônios, duas questões se apresentariam. Em primeiro lugar, ele jamais poderia ser detido, já que sua força seria irresistível. Mas, já que estava preso, algum testemunho crível, por parte de suas vítimas, poderia ser considerado, já que Grandier teria o poder de enganá-las? Fora do universo estritamente religioso, o problema pode ser configurado em sua dimensão filosófica: trata-se do velho tema da confiabilidade da evidência. A possibilidade da possessão demoníaca indica a probabilidade de que nossas percepções a respeito do mundo possam ser todo o tempo turvadas pela ação de um agente maligno, que nos faria tomar por existentes coisas absurdas, deixando-nos sem critério e inteiramente órfãos da boa verdade.

Richard Popkin, em sua monumental História do Ceticismo de Erasmo a Spinosa, que acaba de ser editada no Brasil, com uma demora de 40 anos, demonstrou as conexões entre o episódio mencionado e uma das vertentes que deram origem à filosofia moderna: a experiência com os demônios de Loudun aparecerá aos olhos de Descartes como um grave perigo. Com efeito, se adotarmos a hipótese de que algum agente demoníaco – malin génie – altera a todo o tempo nossos sentidos e critérios de percepção, somos obrigados a reconhecer a força invencível do ceticismo. Nenhuma certeza pode ser afirmada, já que não dispomos de critérios para dizer o que existe e tão pouco possuímos idéias ou conceitos capazes de esclarecer e corrigir os erros perceptuais. Essa hipótese apavora a Descartes, e sua forma, no contexto de Loudun, foi assim resumida por Richard Popkin:

“…se a questão fosse considerada no plano mais amplo da razão humana em geral, do que no dos infortúnios dos membros do convento de Loudun, uma surpreendente possibilidade surge, a saber que, quer saibamos ou não, podemos todos ser vítimas da ação do demônio e sermos ao mesmo tempo incapazes de saber que somos vítimas disso, devido à ilusão sistemática causada pelo agente demoníaco.”

O terror de Descartes pode ser explicado pela natureza da missão filosófica que atribuiu a si mesmo. Antes de qualquer tarefa positiva, Descartes pretende ser o “campeão do ceticismo” e, por essa via, o definidor de um critério de verdade imune aos argumentos falibilistas ou pessimistas a respeito da capacidade humana de “ver as coisas tal como são”. O argumento cartesiano, apresentado nas Meditações, é conhecido: trata-se de simular uma concessão aos céticos, excedendo-os mesmo na aceitação do alcance de nossas dúvidas. Não apenas temos razões para duvidar do que dizem os nossos sentidos, como também do que pretendem revelar nossas idéias e, até mesmo, nossas elocubrações mais abstratas. Mais do que isso, não somos sequer capazes de determinar se o que vemos constitui matéria de sonhos ou se decorre de propriedades objetivas do mundo exterior. A hipótese do sonho de Descartes possui tinturas borgeanas, para pôr a coisa de um modo um tanto anacrônico. Se eu posso estar sonhando que estou escrevendo, nada me impede de supor que ao fazê-lo sou personagem de alguém que me sonha e que, por sua vez, é sonhado por outro. Enfim, nada é capaz de dissipar a suspeita de que nossa ancestralidade não passa de uma seqüência de sonhos que remontam e se desdobram ao infinito.

Tudo isso para demonstrar que ao exagerar ao extremo a possibilidade da dúvida, eu acabo por reconhecer a existência indubitável de um eu que duvida, de um cogito que, se até agora se apresenta como centro deflagrador da incerteza, acaba por se constituir como retaguarda e base inestimável da certeza. Esse é o fundamento da razão humana e de sua capacidade de operar a partir de idéias claras e distintas, além de se impor como evidência invencível da existência de Deus e do caráter especial de Sua relação com os homens. A infestação demoníaca de Loudun ameaça a integridade do trajeto cartesiano: no lugar de exercer exageradamente a dúvida para encontrar o fundamento da certeza, poderemos simplesmente perder o caminho de volta para as nossas verdades mais ordinárias e crenças mais confortáveis, já que ao final da viagem no país da dúvida encontramos tão somente o in-cogito, habitado pelas artes ilusórias de agentes malignos.

Mas, porque tanta preocupação em refutar o ceticismo e em estabelecer padrões invioláveis de certeza? Em sustentar verdades pretensamente autoevidentes, das quais apenas loucos, crianças e imbecis poderiam vir a duvidar? A resposta a essa pergunta, e muito mais, pode ser encontrada no monumento intelectual representado no livro de Richard Popkin e em sua vasta obra. Desde os anos cinqüenta, Popkin vem, como historiador da filosofia moderna, contrariando um padrão otimista de representação dessa mesma história como uma aventura em direção ao esclarecimento e a certezas cada vez mais consistentes. Nessa fábula que deixa entrever um caminho no rumo da felcicidade cognitiva, o século XVII figura como invólucro de dois padrões distintos de certeza filosófica, representados por Francis Bacon e René Descartes. Para trás teriam ficado a subordinação medieval da filosofia à superstição e à idolatria religiosas e uma certa confusão ingênua das reedições clássicas e helenísticas que assolaram o Renascimento.
A história que Popkin oferece revela o quanto a filosofia moderna teve na dúvida e na incerteza uma de suas molas propulsoras. Em termos mais precisos, Popkin foi o primeiro a reconstituir o impacto da recepção de Sexto Empírico e da suma que este realizou do ceticismo antigo, em suas obras datadas do século II AD, no alvorecer da modernidade ocidental. Uma das principais correntes filosóficas do período helenístico, o ceticismo praticamente hibernou na longa duração da filosofia medieval e escolástica. Nos seculos que separam o Contra Acadêmicos, de Santo Agostinho, redigido em 386 AD e a reemergência do ceticismo no século XVI, são esparsas e discutíveis as referências ao pensamento cético. Algumas informações mantiveram-se disponíveis em obras de Cícero – sobretudo no De Academica, escrito entre 45 e 44 AC – e do biógrafo Diógenes Laércio – este em sua Vida dos Filósofos (II AD). O relato descritivo de Cícero tratava das teses da Nova Academia, que sucedeu a famosa Academia de Platão e que, para desgosto de seu fundador e graças à nova direção a ela imprimida por Carneades e Arcesilau, afirmava que a verdade não existia e que deveríamos orientarmo-nos por juízos prováveis a respeito das coisas e do mundo. Já a obra de Diógenes Laércio era puramente biográfica, sem qualquer apuro filosófico. Mas lá estavam informações sobre a vida e algumas idéias e atitudes do pensador grego Pirro de Élis (século II AC), fundador do ceticismo, que adotará o seu nome – pirronismo – como uma de suas designações. Enfim, tanto os materiais de Cícero como os legados por Laércio não foram suficientes para manter durante a Idade Média um interesse forte pelo ceticismo antigo.

O que poderia explicar, então, o resurgimento de um interesse e de uma verdadeira obsessão pelo ceticismo no início da modernidade? Antes de tudo é necessário considerar a qualidade dos textos céticos antigos, postos à disposição dos intelectuais do quatrocentto e do Renascimento. Por um enorme acaso – hipótese cética por excelência – a obra de Sexto Empírico, que continha uma vasta e rigorosa bateria de argumentos filosóficos contra os dogmáticos em geral, acabou por chegar ao Ocidente moderno, graças à curiosidade de um humanista veneziano – Francesco Filelfo – que enfurnou-se nos “sebos” de Constantinopla e acabou por levar para a sua cidade natal uma quantidade enorme de antigos manuscritos gregos. O conteúdo desses manuscritos viria a provocar uma revolução intelectual e o susrgimento de uma poderosa tradição filosófica. Ambas - revolução e tradição - foram investigadas e narradas pela primeira vez por Richard Popkin.

O ceticismo surgiu na Antiguidade Clássica como reação à proliferação de sistemas filosóficos todos eles orientados para a detecção da verdade. Em termos mais precisos, a atitude cética emerge da descoberta de que “a” filosofia é um campo de disputa entre sistemas que sustentam que há uma funda distinção entre o que é e o que aparece. Enquanto homens comuns, movidos por apetites e crenças, vivem segundo o que lhes parece ser o mundo, caberia ao filósofo dizer a verdade, com base em sua capacidade extraordinária de ver o que não se vê ordinariamente.
A palavra ceticismo deriva de sképsis, que significa, em grego, investigação. O cético, ao investigar os diferentes sistemas filosóficos, descobre que todos eles têm em comum a pretensão de dizer o que a verdade é, mas que, por supô-la pertencendo à um mundo além de nossa percepção comum – o Motor Imóvel, de Aristóteles, ou o Mundo das Idéias, de Platão, por exemplo -, não entram em acordo com relação ao que ela significa. Cada um a descreve de forma particular, sem apresentar evidências críveis para sustentar suas hipóteses. Trata-se, pois, de uma querela indecidível. Mais do que “filosofia”, os céticos revelam a existência de um “conflito das filosofias”, para empregar a feliz expressão de Oswaldo Porchat Pereira, professor de filosofia da USP e um dos principais filósofos brasileiros. Nesse conflito, cada novo pensador pretende solucionar os impasses produzidos por seus predecessores, oferecendo a possibilidade de uma nova e mais perita definição da verdade. Mas, o que acaba por acontecer é que essas “soluções” tão somente alargam o âmbito do dissenso. Pensando resolver o problema da verdade, o filósofo obcecado por essa busca e malgré lui même, contribui para o aumento da incerteza.

O ceticismo, portanto, desde suas primeiras formulações com Pirro de Élis (II AC) até os textos remanescentes de Sexto Empírico (médico de Alexandria, no século II AD), sustenta a falibilidade humana em termos cognitivos e a ausência de critérios para definir o que é a verdade, para além do mundo comum dos fenômenos que todos experimentamos. As obras de Sexto Empírico, redescobertas no século XV, expõem detalhadamente os principais argumentos do ceticismo – os temas da suspensão do juízo, da ataraxia e da importância do mundo dos fenômenos, entre outros – e um vasto exame de todas os saberes humanos produzidos, movidos pela busca da verdade. Os argumentos podem ser encontrados em um livro intitulado Esboços do Pirronismo – as Hipotiposes Pirronianas - e o exame em outro, cujo delicioso título é Contra os Professores – o Adversus Mathematicus.

O livro de Popkin narra os efeitos e a recepção que os argumentos organizados por Sexto Empírico tiveram nos séculos XVI e XVII. Depois de considerar o impacto dos textos e argumentos céticos nos debates suscitados pela Reforma Protestante, Popkin nos conduz ao universo de Michel de Montaigne, leitor da primeira traduação latina de Sexto Empírico, feita por Henri Destienne. Em Montaigne estão magnificamente presentes os temas clássicos do ceticismo: a falibilidade do conhecimento por meios humanos, uma visão da vida social constituída pelas crenças ordinárias e uma sensibilidade ímpar para a existência de uma vasta variedade cultural e civilizatória, irredutível a critérios universais. Essa última perspectiva está presente em um de seus ensaios, a respeito dos índios brasileiros, Dos Canibais. Nele encontramos o primeiro registro europeu que os percebe como personagens de uma experiência distinta da européia, vale dizer, como outra forma de sociedade.

Essa sensibilidade para com a diferença cultural é uma herança explícita do antigo ceticismo que, em um dos argumentos legados por Sexto Empírico e alargado no século XX por Claude Lévi-Strauss, percebia a diferença civilizatória como irredutível a critérios universais de juízo e avaliação. O argumento da diversidade, então sustentado, foi com grande probabilidade o primeiro juízo anti-etnocêntrico da tradição ocidental. Para que tenhamos uma noção da radicalidade do princípio, basta considerar as palavras de Heródoto, o pai da História, sobre os pobres egípcios: “Na maioria de seus hábitos e costumes os egípcios invertem exatamente os procedimentos usuais da humanidade”.

Pela mão de Popkin somos levados, a partir de Montaigne, à uma legião de pensadores até há pouco quase desconhecidos. Pierre Charron, por exemplo, herdeiro intelectual de Montaigne, escreverá um dos livros mais lidos no século XVII francês, o De la Sagesse, no qual a sabedoria é apresentada como fruto da utilização do ceticismo (ou pirronismo) contra as diferentes filosofias dogmáticas. Em seguida, surge o universo dos libertins érudits, os libertinos como La Mothe Le Vayer, que designava Sexto Empírico como le divin Sextus, e os esforços de Gassendi, na direção de um ceticismo construtivo, preocupado em delimitar o que podemos e o que não podemos daber. Ao lado disso, Popkin põe em relevo a presença de esforços intelectuais de refutação do ceticismo, tanto no plano religioso como no filosófico. É esse o caminho percorrido por Descartes e Spinosa, considerados nos capítulos finais do livro, que incluem, ainda, menção a Isaac la Peyrère, pensador extremamente original e responsável pela extensão do ceticismo ao universo religioso, através de sua tese a respeito da existência de seres humanos antes de Adão (uma das principais questões de la Peyrère teria sido a respeito de quem foi a mulher de Caim).
Popkin, por fim, estabeleceu definitivamente o ceticismo como uma das correntes formadoras da filosofia moderna. Com ele, aprendemos que o século XVII foi assolado pela ação do pirronismo. As principais escolas de pensamento a partir daí, tanto no campo da filosofia como no da teoria política, tiveram o ceticismo como referência. Negativa, no caso de Thomas Hobbes e René Descartes e invencível, tal como atesta a miríade de nouveaux pyrrhoniens – Montaigne à testa – revelados por Popkin. O universo intelectual por ele apresentado preparou o caminho para um dos maiores momentos da filosofia moderna, representado pelo escocês David Hume, no século XVIII, leitor inveterado dos céticos antigos, de Montaigne e do genial Pierre Bayle. Infelizmente, a história de Popkin termina em Spinosa, e não considera os desdobramentos do ceticismo no século de Hume. Outro motivo de frustração é a não inclusão, no balanço do século XVII, de um capítulo sobre Pierre Bayle, cujo Dicionário foi matéria obrigatória para todos os iluministas (Hume e Voltaire, mais do que a todos). Popkin ocupar-se-ia brilhantemente de Bayle e Hume em otras oportunidades, sobretudo em The High Road to Pyhrronism, publicado em 1980.

A História do Ceticismo, de Richard Popkin, foi incialmente escrita na segunda metade dos anos 50 e publicada em 1960. Nessa primeira versão, o projeto de Popkin abrangia um espaço temático e temporal que nos conduzia de Erasmo de Roterdã a René Descartes. Na década de setenta, o projeto foi alargado com o acréscimo de dois deliciosos capítulos sobre Isaac La Peyrère, autor do genial Pre Adamitae e Baruch Spinosa, pensador profundamente abalado pelo ceticismo religioso daquele autor. Além dos dois capítulos, Popkin criteriosamente incorpora ao texto contribuições recentes, muitas das quais possibilitadas por seu trabalho inaugural.
A edição que agora dispomos em língua portuguesa, publicada pela Editora Francisco Alves, depois de um longo período de hibernação editorial, contem ótima tradução de Danilo Marcondes, um dos principais estudiosos brasileiros da filosofia cética. Falta à edição um cuidado editorial à altura da importância do texto, que exigiria uma apresentação a respeito do impacto e da relevância do livro e até mesmo um prefácio ao leitor brasileiro, do próprio autor, que não se recusou a isso quando há alguns anos uma coletânea de textos seus foi publicada pela Editora da Universidade Federal Fluminense (ver Richard Popkin, Ceticismo – coletânea organizada por Emilio Eigenheer -, Niterói, Eduff, 1985). É imperdoável a ausência de um índice onomástico, dado o alcance da erudição de Popkin e a copiosa lista de referências e nomes que apresenta durante o texto. Mas, de qualquer forma, é de se comemorar o fato de que dispomos agora de uma edição brasileira do seu principal livro.

Bayle, Historien et Critique de la Philosphie

Bayle, Historien et Critique de la Philosphie – Colloque Internationale Brésil-France-Italie.

Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Brazil

22 - 24 Outubro 2008 – Auditório Baesse.

Instituições promotoras: Universidade Federal de Minas Gerais (Brasil), Università degli Studi del Piemonte Orientale “A. Avogadro” (Itália), Ecole Pratique des Hautes Etudes (França).

Apoio: IEAT; FAFICH; Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFMG ; CAPES; FAPEMIG

Comitê organizador:
José R. Maia Neto, Belo Horizonte, Brasil
Gianni Paganini, Vercelli, Itália
Hubert Bost, Paris, França
Jean-Robert Armogathe, Paris, França

O colóquio se inscreve no quadro do convênio assinado em 2005 entre a Ecole Pratique des Hautes Etudes (EPHE) e a UFMG e do convênio assinado em 2007 entre a Universidade do Piemonte Oriental e a UFMG, cujo Grupo de Pesquisa sobre o Ceticismo Moderno coordena, pelo lado brasileiro, as atividades acadêmicas de ambos os convênios. A realização do colóquio sobre Pierre Bayle (1647-1706)—que até onde se sabe será o primeiro realizado nas três Américas—é uma das atividades previstas nos planos de trabalho para 2008 dos dois convênios.
Nos últimos anos o conhecimento do Bayle filósofo cresceu bastante com a publicação de livros monográficos e a realização de colóquios dedicados ao estudo do seu pensamento. Entretanto, não se leva sempre em conta o fato de Bayle ter sido também um historiador das idéias. O presente colóquio busca estudar a maneira particular pela qual Bayle apresenta as correntes filosóficas e os sistemas de pensamento. Ele se vale de grande erudição no seu exame e expõe os princípios e as conseqüências das teses filosóficas fundamentais dos diversos sistemas de pensamento. Entretanto, além disto, ele prolonga, radicalizando, as intuições filosóficas fundamentais de cada sistema, via de regra no sentido de expor implicações heréticas ou irreligiosas dos mesmos.

É deste modo que Bayle reivindica a autonomia e a liberdade crítica do discurso filosófico, em relação às normas doutrinais que se impõem ao seu pensamento e face às quais ele deve adaptar o seu discurso. Ele debate sem cessar com quatro correntes maiores do seu tempo: o cristianismo, que coloca a questão da relação entre fé e razão e o problema do mal, em particular em sua versão calvinista que radicaliza a onipotência divina; o cartesianismo, que recoloca o problema do dualismo e do voluntarismo na filosofia; o sistema de Espinosa e dos atomistas materialistas—em particular o “estratonismo”, forjado pelo próprio Bayle; e o ceticismo, de Pirro a Montaigne, Charron e La Mothe Le Vayer.

O colóquio permitirá examinar a especificidade da abordagem histórica e crítica de Bayle, seja através do estudo de casos particulares em alguns artigos do Dicionário (como os artigos sobre Espinosa e Pirro), seja através de uma reflexão geral sobre a abordagem bayleana.

Programa

22 DE OUTUBRO- QUARTA-FEIRA
11:00-12:00
Hubert BOST (EPHE, Paris)
Bayle propose-t-il une histoire de la philosophie?

14:00-15:00
Marilena de SOUSA CHAUÍ (USP, São Paulo)
A estrutura jurídico-retórica do verbete Spinoza

15:15-16:15
Jean-Luc SOLERE (Boston College)
La causalité mécanique dans le Dictionnaire historique et critique

16:30-17:30
José Raimundo MAIA NETO (UFMG, Belo Horizonte)
Seria Huet o modelo do abade filosófico da nota B do artigo Pirro?

23 DE OUTUBRO- QUINTA-FEIRA
10:00-11:00
Jean-Robert ARMOGATHE (EPHE, Paris)
Bayle et le cartésianisme : l’Avis au lecteur du Recueil de diverses pièces curieuses

11:00-12:00
Plinio SMITH (USJT, São Paulo)
Bayle crítico da nova filosofia

14:00-15:00
Gianni PAGANINI (Università del Piemonte Orientale, Vercelli)
……Bayle et le statut de l’athéisme sceptique

15:15-16:15
Antonio Carlos DOS SANTOS (UFSE, Aracaju)
Pierre Bayle : ateísmo e tolerância

16:30-17:30
Todd RYAN (Trinity College, Hartford, USA CT)
Liberté, déterminisme et fatum : Bayle et les stoïciens

24 DE OUTUBRO- SEXTA-FEIRA
10:00-11:00
Fernando BAHR (CONICET, Buenos Aires)
Bayle et l’éthique épicurienne

11:00-12:00
Renato LESSA (IUPERJ, Rio de Janeiro)
Pierre Bayle: ceticismo, crença e configuração do mundo humano.

14:00-15:00
Kristen IRWIN (University of California, San Diego)
La philosophie comme méthodologie: la conception sceptico-rationaliste de la raison chez Bayle

15:00-16:00
José Ricardo SOUSA RODRIGUES (UFMG, Belo Horizonte)
Tolerância: esforço de construção de um conceito filosófico por Pierre Bayle

Página 9 de 10« Primeira...«678910»